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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O chão é cama



O chão é a cama para o amor urgente,
amor que não espera ir pra cama.

Sobre o tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.
E para repousar do amor, vamos a cama.


Carlos  Drummond de Andrade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O tempo




O tempo passa incólume
Lutamos contra ele
Gritamos
Berramos
E nada...Ele continua a passar
Será culpa dos minutos? Das horas?
Das horas e dos minutos??
Não, não. Dos segundos.
Definitivamente deles
Passam muito rápido
Não conseguimos nos apropriar
de tanta pressa!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quero...



Quero....
Ir onde meu coração me mandar!...
Sonhar tudo o que devo sonhar...
Rir até chorar,
Viver todas as minhas histórias,
Amar e ser amada sem condições,
Sem grandes ou pequenas razões.
Ser tudo, Ver o mundo,
Liberdade...Voar...
Alcançar todas as metas,
Seguir sempre em linha reta,
Nunca desistir,
Nem olhar para trás. Ir, sem medo,
Onde meu coração me levar!...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Fernando Pessoa




Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

(Fernando Pessoa)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O olhar.




Você já reparou como os olhos falam?

O olhar é sempre mais explícito e mais honesto do que as palavras.

A expressão do olhar é tão poderosa, que pode contar uma história ou passar uma idéia, na forma de um simples desenho ou de uma pintura...

O olhar de alegria, por exemplo, está sempre brilhando.

É aberto e vivo.

E faz qualquer rosto parecer infantil.

O olhar da dúvida é inquieto.

Anda de um lado para o outro, perdido, dividido entre o sim e o não...

Já o olhar da mentira aponta pra baixo.

Como se tentasse fugir do rosto, pra não ser desmascarado.

E o olhar de medo?

Esse dá medo mesmo!

Ele quase fala. Quase grita pedindo ajuda.

Olhar de desejo é muito lindo...

Em criança ou em gente grande...

Ele fica aflito, como quem diz...

Eu quero!

Tristeza tem olhos apagados.

Repara, só...

Sem cor, sem brilho...

Olhar triste olha sempre pro nada.

Fica pequenininho...

Mas o olhar de sonho...

Ah, esse é lindo!

O olhar de quem sonha, enxerga longe, fica ausente...

Quase bobo.

Olhar apaixonado, então...

É uma mistura maluca de felicidade, sonho e desejo.

Esse não dá pra disfarçar.

Aí eu pergunto:

Você sabe ler olhares?

Tomara que sim.

Porque tem coisa que a gente só escuta vendo!

É isso mesmo...

Só escuta vendo.

O olhar é a linguagem mais fácil do mundo.

Mas pra entender é preciso olhar no olho...

Com cuidado, com generosidade...

Com atenção...

Me chamem do que quiser




Se parece ingênuo que eu acredite nas pessoas, que me chamem de tola.
Se parece impossível que eu queira ir onde ninguém conseguiu chegar, que me chamem de pretensiosa.
Se parece precipitado que eu me apaixone no primeiro momento, que me chamem de inconseqüente.

Se parece imprudente que eu me arrisque num desafio, que me chamem de imatura.
Se parece inaceitável que eu mude de opinião, que me chamem de incoerente.
Se parece ousado que eu queira o prazer todos os dias, que me chamem de abusada.

Se parece insano que eu continue sonhando, que me chamem de louca.
Só não me chamem de medrosa ou de injusta. Porque eu vou à luta com muita garra e muita vontade de acertar.
E foi lutando que eu perdi o medo de ser ridícula. De ser enganada. De ser mal entendida.
Perdi, na verdade, o medo de ser feliz.

Não me incomoda se as pessoas me vêem de forma equivocada.
O importante mesmo é como eu me vejo...
Sem cobrança. Sem culpa. Sem arrependimento.
A gente perde muito tempo tentando agradar aos outros. Tentando ser o que esperam de nós.
Eu sou o que sou e não peço desculpas por isso.

No meu caminho até aqui, posso não ter agradado a todo mundo, mas tomei muito cuidado para não pisar em ninguém.
Sendo assim, me chame do que quiser, eu não ligo...
Porque eu só atendo mesmo quando chamam pelo meu nome, que eu tenho o maior orgulho de carregar.

A cegueira do amor.




Contam que uma vez se reuniram os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da Terra. Quando o aborrecimento havia reclamado pela terceira vez, a loucura, como sempre tão louca, lhe propôs: -Vamos brincar de esconde-esconde? A intriga levantou a sobrancelha intrigada e a curiosidade sem poder conter-se perguntou: -Esconde-esconde? Como é isso? -É um jogo - explicou a loucura - em que eu fecho os meus olhos, conto até 1 milhão enquanto vocês se escondem, quando eu terminar de contar começo a procurá-los e o primeiro que eu encontrar ocupa o meu lugar no jogo. O entusiasmo dançou seguido pela euforia, a alegria deu tantos saltos que acabou convencendo a dúvida e até a apatia, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos participaram, a verdade não quis se esconder, a soberba opinou que era um jogo muito tolo, no fundo o que a incomodava era que a idéia não tinha sido dela, e a covardia preferiu não se arriscar. -Um, dois, três... começou a contar a loucura. A primeira a se esconder foi à pressa como sempre tão apressada, caiu atrás da primeira pedra do caminho. A fé subiu ao céu e a inveja se escondeu atrás da sombra do triunfo que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da mais alta árvore. A generosidade quase não conseguiu se esconder, pois cada local que achava lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos, ao contrário do egoísmo que encontrou um ótimo lugar só para ele. A mentira se escondeu no fundo do oceano (mentira! foi atrás do arco-íris) o esquecimento, não me recordo onde se escondeu... Quando a loucura estava lá pelos 999.999 o amor ainda não havia achado um lugar para se esconder, pois todos estavam ocupados até que encontro um roseiral e decidiu esconde-se entre as rosas. -Um milhão! Terminou de contar a loucura e começou a procurar. A primeira a aparecer foi à pressa apenas a três passos de uma pedra. Depois encontrou a fé discutindo com Deus sobre sociologia, em um descuido encontrou a inveja e claro pôde deduzir onde estava o triunfo, o egoísmo não precisou ser procurado, saiu correndo de seu esconderijo que era um ninho de vespas. A dúvida foi mais fácil ainda, encontrou sentada em uma cerca sem decidir de que lado se escondia. E assim foi encontrando a todos, o talento nas ruas frescas, a angústia em uma cova escura, apenas o amor não aparecia quando a loucura estava dando-se como vencida encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos. No mesmo instante ouvi-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o amor nos olhos. A loucura não sabia o que fazer para desculpar-se, chorou, rezou, implorou e até prometeu ser sua guia. Desde então o amor é cego e a loucura sempre o acompanha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sou assim.





Sou assim:
Um pouco de tudo
Um pouco de menina
Um pouco de mulher
Um pouco delicada
Um pouco malcriada
Um pouco discreta
Um pouco atrevida
Um pouco de poeta
Um pouco de moleca
Um pouco doce
Um pouco amarga
Metade de mim está no direito
A outra metade está no avesso
Meu lado direito é claro
Meu lado avesso é obscuro
Meu lado direito pede a razão
Meu lado avesso só obsessão
As vezes sou como uma folha caída,
levada pelo vento.
Outras, sou como uma árvore frondosa,
que não se abala com nada.
Sou pobre e sou rica
Sou derivado de mim mesma
Uso adjetivos para me modificar
Do verbo só tenho a palavra
Uso pronome quando não quero me identificar
Sou uma divisão exata de mim!

http://amizadepoesia.wordpress.com

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eterno


Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata! Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas. Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros. Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta. Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria. Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro. Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama. Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos.
Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Soneto do amor total.


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinicius de Moraes


Soneto da criação.


Deus te fez numa fôrma pequenina
De uma argila bem doce e bem morena
Deu-te uns olhos minúsculos de china
Que parecem ter sempre um olhar de pena.
Banhou-te o corpo numa fonte fina
Entre os rubores de uma aurora amena
E por criar-te assim, leve e pequena
Soprou-te uma alma calma, cálida e divina.
Tão formosa te fez, tão soberana
Que dar-te aos anjos por irmã queria
Mas ao plasmar-te a carne predileta
Deus, comovido, te criara humana
E para tua justa moradia
Atirou-te nos braços do poeta.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amo você


A cada beijo na minha boca Amo você um pouco mais. Você me atrai com o olhar, Me exibe o horizonte, A cada passo que caminha em minha direção. Bate forte o meu coração. Ah! O meu coração Não existiria sem você. Por que o Sol deixaria de brilhar, Se eu parasse de falar que amo você. Então irei sempre repetir. Eu amo... Eu amo... Amo abundantemente você!



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Relógio." vinicus De Morais."



O relógio


Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac . . .


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