segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Bonitas são as coias vinda do interior.
O olhar.
Você já reparou como os olhos falam?
O olhar é sempre mais explícito e mais honesto do que as palavras.
A expressão do olhar é tão poderosa, que pode contar uma história ou passar uma idéia, na forma de um simples desenho ou de uma pintura...
O olhar de alegria, por exemplo, está sempre brilhando.
É aberto e vivo.
E faz qualquer rosto parecer infantil.
O olhar da dúvida é inquieto.
Anda de um lado para o outro, perdido, dividido entre o sim e o não...
Já o olhar da mentira aponta pra baixo.
Como se tentasse fugir do rosto, pra não ser desmascarado.
E o olhar de medo?
Esse dá medo mesmo!
Ele quase fala. Quase grita pedindo ajuda.
Olhar de desejo é muito lindo...
Em criança ou em gente grande...
Ele fica aflito, como quem diz...
Eu quero!
Tristeza tem olhos apagados.
Repara, só...
Sem cor, sem brilho...
Olhar triste olha sempre pro nada.
Fica pequenininho...
Mas o olhar de sonho...
Ah, esse é lindo!
O olhar de quem sonha, enxerga longe, fica ausente...
Quase bobo.
Olhar apaixonado, então...
É uma mistura maluca de felicidade, sonho e desejo.
Esse não dá pra disfarçar.
Aí eu pergunto:
Você sabe ler olhares?
Tomara que sim.
Porque tem coisa que a gente só escuta vendo!
É isso mesmo...
Só escuta vendo.
O olhar é a linguagem mais fácil do mundo.
Mas pra entender é preciso olhar no olho...
Com cuidado, com generosidade...
Com atenção...
Me chamem do que quiser
Se parece ingênuo que eu acredite nas pessoas, que me chamem de tola.
Se parece impossível que eu queira ir onde ninguém conseguiu chegar, que me chamem de pretensiosa.
Se parece precipitado que eu me apaixone no primeiro momento, que me chamem de inconseqüente.
Se parece imprudente que eu me arrisque num desafio, que me chamem de imatura.
Se parece inaceitável que eu mude de opinião, que me chamem de incoerente.
Se parece ousado que eu queira o prazer todos os dias, que me chamem de abusada.
Se parece insano que eu continue sonhando, que me chamem de louca.
Só não me chamem de medrosa ou de injusta. Porque eu vou à luta com muita garra e muita vontade de acertar.
E foi lutando que eu perdi o medo de ser ridícula. De ser enganada. De ser mal entendida.
Perdi, na verdade, o medo de ser feliz.
Não me incomoda se as pessoas me vêem de forma equivocada.
O importante mesmo é como eu me vejo...
Sem cobrança. Sem culpa. Sem arrependimento.
A gente perde muito tempo tentando agradar aos outros. Tentando ser o que esperam de nós.
Eu sou o que sou e não peço desculpas por isso.
No meu caminho até aqui, posso não ter agradado a todo mundo, mas tomei muito cuidado para não pisar em ninguém.
Sendo assim, me chame do que quiser, eu não ligo...
Porque eu só atendo mesmo quando chamam pelo meu nome, que eu tenho o maior orgulho de carregar.
A cegueira do amor.
Alegria.

Quem nunca sentiu uma alegria à toa, daquelas que vem sem hora marcada, sem plano, sem festa?
Alegria boa é assim: ela vem meio que rasgando a boca, deixando um sorriso de não sei o que na cara da gente...
Se alegria tivesse nome, seria surpresa.
Se fosse uma casa, seria imensa.
Se fosse um doce, que doce seria a tal da alegria?
Doce gelado, confeitado, colorido...
E se fosse uma música?
Seria de flauta?
De viola?
Acho que de tudo...
Alegria tem som de orquestra.
Alegria à toa tem cor quente. Cor de sol que se põe bem tarde.
Alegria que se preza, tem cheiro de chuva, de infância...
E é claro que se alegria fosse gente, seria uma criança...
E se fosse bicho, aposto que seria um beija-flor...
Se eu pudesse vestir a tal da alegria, ela seria um vestido de linho, branco, bordado no peito, bem soltinho.
Se fosse um caminho, seria de terra, no meio do nada, sem cerca e sem construção...
Alegria deve ser isso...
Qualquer coisa bonita, que nos tira do tédio.
Essa coisa gostosa, misteriosa, bem vinda, que em dois segundos deixa tudo em paz.
Alegria de verdade é aquela que vive aqui dentro...
Que adormece, às vezes, mas que nunca deve morrer antes da gente.
Beijo na boca.
Não tenho a menor idéia de quem inventou ou de quando foi inventado.
Mas vamos combinar que o tal do beijo na boca é uma das melhores invenções da humanidade.
Se existe algum povo, alguma cultura, que não adota esse tipo de beijo, garanto que esse lugar deve ser muito chato....
Porque o beijo na boca é a manifestação mais intensa da paixão...
Arrisco até a dizer que às vezes é mais importante do que o sexo.
Toda relação começa com um beijo na boca. E quando ele desaparece no dia-a-dia dos casais, é porque algo vai mal.
Quem nunca se apaixonou por causa de um beijo daqueles?
Existem bocas que se encaixam perfeitamente. Bocas nascidas uma para a outra, que se comunicam com facilidade e se tornam cúmplices.
Beijo bom é aquele que faz a gente sair do chão, faz o coração bater acelerado e o corpo todo tremer.
Beijo bom é aquele que faz a gente pensar em mil coisas e, ao mesmo tempo, não pensar em nada.
Beijo bom é aquele que faz o tempo correr ou... parar de vez.
Beijar na boca faz bem à saúde, à alma, ao corpo e ao coração.
Beijar de olhos fechados faz a gente sonhar. Beijar de olhos abertos faz a gente acreditar.
Beijo quente...
Beijo molhado...
Beijo tranquilo...
Beijo apressado...
Beijo na boca pode ser de todo jeito, mas tem que vir carregado de paixão.
Beijar no escuro, beijar na rua, beijar escondido, beijar roubado...
Beijo na boca nos faz sentir vivos, saudáveis... e até imortais.
Eu não sei se existe o dia do beijo na boca. Se não existe, vamos fingir que é hoje.
Vai lá... surpreenda quem você ama.